Empréstimos do BNDES dobraram de 2007 para 2009
Empresas trazem menos dólares ao país para financiar projetos
Com as matrizes em dificuldades financeiras e o mercado externo ainda complicado por causa da crise, as multinacionais estão recorrendo mais ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e trazendo menos dólares ao país para financiar seus projetos. Os empréstimos do BNDES para empresas de capital estrangeiro dobraram de 9,8 bilhões de reais em 2007 para 20,4 bilhões em 2009, conforme informações fornecidas pelo banco. Entre janeiro e julho deste ano, os desembolsos para multinacionais ficaram em 8,6 bilhões de reais.
O BNDES informou que a legislação não permite discriminação entre empresas de capital nacional e companhias estrangeiras instaladas no Brasil. As multinacionais, no entanto, não receberam tratamento especial. A participação dessas empresas na carteira do banco se manteve entre 15% e 16% nos últimos três anos. De janeiro a julho, está em 12%. A perspectiva da área econômica do banco é de queda este ano em relação aos 16% de 2009.
Para economistas do mercado, o crescimento significativo de recursos do BNDES garantiu os investimentos, contribuindo para elevar a oferta de produtos e controlar a inflação. Mas teve um efeito colateral, que é ajudar a reduzir a entrada de investimento estrangeiro produtivo, o que deixa o país mais vulnerável ao capital volátil para fechar suas contas.
Pelas projeções do Banco Central, o investimento estrangeiro direto não vai cobrir o déficit externo brasileiro, em conta corrente, pela primeira vez desde 2001. O BC estima 49 bilhões de dólares de déficit e um ingresso líquido de investimento estrangeiro direto de 38 bilhões de dólares. Isso significa que o país vai depender da entrada de pelo menos 11 bilhões de dólares em investimentos em ações e renda fixa para fechar as contas. Nada preocupante, por enquanto, dada a magnitude de capitais especulativos que o Brasil vem atraindo.
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